quarta-feira, junho 25, 2014

Os dentes de Suárez


Loco Abreu defendeu, por um caminho tortuoso, a mordida de Luis Suárez, o "raçudo", "craque", que de vez em quando dá uma de louco (no pior sentido) e mancha sua biografia com bizarrices. O cabra já foi punido por usar termos racistas em jogo do campeonato inglês, já deu vexames variados e agora mordeu o ombro do zagueiro italiano Chiellini.
Nada, nem a protuberância dos dentes de Suárez, justifica uma mordida em campo, a não ser irritação descontrolada, a deslealdade, o desespero. Não querendo dar uma de inocente (falso) moralista, imagino que coisas semelhantes acontecem o tempo todo em campos de futebol, ao menos entre jogadores profissionais, tenho a impressão de que na várzea há mais respeito. Mas, cara, morder o adversário é uma coisa bizarra.
Suárez pode  alegar que Zidane deu uma cabeçada em plena final de Copa. Suárez não é Zidane, um craque incontestável, admirado não apenas por torcedores, mas por seus colegas de profissão, não pelo talento ou raça, mas por, dizem, ser um cara muito "gente boa". Suárez, que usa expressões racistas e os próprios dentes para, digamos, desestabilizar adversários, não é gente boa.
É raçudo, talentoso, a cara do poeta Sergio Vaz, faz gols como poucos, de vez em quando, como no jogo contra a Itália, joga mal como muitos. Também é desequilibrado, desleal e não sabe perder. O choro escandaloso do atacante uruguaio após seu time perder o título do campeonato inglês não é apenas sinal de raça, é o sinal externo de que o cara não aceita que alguém se destaque acima dele, que algum time seja melhor que o seu.
A famosa raça uruguaia no futebol muitas vezes não foi muito além de arrogância e truculência, especialmente quando o futebol de lá começou a escassear. Quando finalmente começaram a surgir novamente jogadores talentosos por lá − e não me refiro a equinos do quilate de Diego Lugano ou Maxi Pereira, esses continuam compensando a perebice com cara feia, canelada e alguns golpes frequentemente usados em disputas de MMA. A atual Celeste Olímpica tem jogadores talentosos ao ponto de não precisar dessa raça covarde e catimbeira. Daí que não faz o menor sentido um jogador talentoso como Suárez sair distribuindo mordidas e impropérios.
O Uruguai conquistou sua vaga para as oitavas de final da Copa do Mundo muito mais pelos dois golaços de Suárez contra o Uruguai e pela raça legítima de jogadores como Godín, com um gol desajeitado, mas ainda assim gol. Pode-se dizer que o Uruguai se classificou apesar da tal raça desesperada de jogadores como Suárez e talvez graças a ausência de Diego Lugano e Maxi Pereira. Bonito mesmo foi ver o zagueiro-menino Giménez chorando e beijando o escudo uruguaio após o jogo. A raça de Giménez se vê na bola, no futebol, não em trombadas, provocações e deslealdade.

O Uruguai tem futebol para chegar ainda mais longe na Copa? Há limitações, mas jogadores como Cavani e o próprio Suárez podem brilhar e decidir jogos. Sem catimbas, trombadas, rasteiras ou mordidas, suas chances aumentam. 

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